sábado, 25 de outubro de 2008

Fantasia - Por Henrique Pinto

Havia num reino muito distante,
Uma fada pequenina,
Com um sorriso de menina,
Que cativou um viajante.


Sem saber o que fazer,
O viajante encantado,
Ficou desatinado,
Quando do compromisso se fez saber.

Mesmo assim não a abandonou.
A si mesmo ele jurou:
Prezar pela felicidade dela.

Abertas a porta e a janela,
Do seu coração pra ela.
Uma fantasia que sonhou.

Geni e O Zepelin - Chico Buarque

Geni E O Zepelin

Composição: Chico Buarque
De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada
Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato
E também vai amiúde
Com os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir
Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelin
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim
A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geléia
Mas do zepelin gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo
- Mudei de idéia
- Quando vi nesta cidade
- Tanto horror e iniqüidade
- Resolvi tudo explodir
- Mas posso evitar o drama
- Se aquela formosa dama
- Esta noite me servir
Essa dama era Geni
Mas não pode ser Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
Mas de fato, logo ela
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro
Acontece que a donzela- e isso era segredo dela
Também tinha seus caprichos
E a deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos
Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão
Vai com ele, vai Geni
Vai com ele, vai Geni
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni
Foram tantos os pedidos
Tão sinceros, tão sentidos
Que ela dominou seu asco
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco
Ele fez tanta sujeira
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelin prateado
Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir
Joga pedra na Geni
Joga bosta na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

Quem seriam as Genis nos dias de hoje?

sábado, 18 de outubro de 2008

Indignação - Santa Incompetência

A polícia de São Paulo assinou o seu atestado de incompetência no caso do seqüestro e assassinato da menina Eloá.
Perguntas que não querem calar:

1) Quem foi que disse que uma adolescente seria capaz de negociar com uma pessoa com transtorno mental?
Como é que alguém em sã capacidade das faculdades mentais envia uma menina, que ainda está estudando no ensino médio, negociar a liberdade de uma refém com alguém armado? Em países de primeiro mundo, negociadores são pessoas com ampla experiência, de preferência psicólogos e/ou psiquiatras, com conhecimento no comportamento humano de pessoas problemáticas e com transtornos comportamentais. Será que isso se trata de uma nova técnica de nossa polícia tupiniquim? Não aceito a desculpa de que a culpa foi da menina que foi mais longe do que foi instruída. Certamente ela não era para estar lá, nem tampouco fazer um papel que era da polícia e de negociadores especializados.
2) Por que NENHUMA ação preventiva foi tomada para resolver a situação antes desse desfecho trágico?
Nos Estados Unidos é possível uma pessoa comprar uma arma porém, se você resolver apontar a arma para a cabeça de alguma pessoa, prepare-se pois eles não hesitarão em atirar em você para salvar a vida da pessoa mantida refém. A perda de uma vida (a do assassino) é justificada pelo salvamento da possível vítima e das outras pessoas de quem ele poderia tirar. No caso de São Paulo isso não aconteceu. Pensando no "coitado" do Lindemberg, um homem de 23 anos com uma arma na mão apontando para duas adolescente de 15 anos, as vidas da menina e de sua amiga foram colocadas em risco e em momento algum a polícia pensou nas verdadeiras vítimas do processo. Se um atirador de elite tivesse sido colocado, em posição estratégica, esperando a melhor oportunidade para atirar no seqüestrador, talvez, o final da história tivesse sido outro.
3) Por que os "Direitos Humanos" estavam mais interessados na integridade do bandido e não de suas vítimas?
Nesse país, há uma deturpação nas leis e no tocante a quem é a verdadeira vítima. No episódio de São Paulo ficou claro isso: os representantes dos "Direitos Humanos" estavam mais preocupados com o que iria ser feito com o BANDIDO, do que com o que acontecera com as meninas que ele mantinha como refém. Isso é no mínimo ABSURDO! O que ele fez com as meninas é injustificável, independentemente do que possam alegar. O que há no Brasil é a hipocrisia da mídia e das entidades defensoras dos "Direitos Humanos", leis permissivas, que geram a certeza da impunidade para esses bandidos, e uma passividade do povo brasileiro. Se nós nos revoltássemos e fôssemos às ruas protestar essa realidade poderia ser um pouco diferente. Enquanto isso não acontece, temos que assistir ao aumento da violência de "camarote", de preferência gradeado e com segurança particular, enquanto os "almas sebosas", como diria o "filósofo" Cardinot (apresentador de um programa policial de Pernambuco), correm soltos nas ruas, fazendo o que lhes vier à cabeça. Outra pergunta me surge agora: O que essas entidades, defensoras de humanos nada direitos, farão para devolver a vida de uma adolescente de 15 anos para uma família de HUMANOS DIREITOS, pagadores de impostos e que deveriam contar com uma SEGURANÇA PÚBLICA de qualidade? Cadê os "Direitos Humanos" agora?
Não consigo ficar calado diante dessa situação. Quantas vidas mais teremos que perder para que leis de tolerância zero sejam implantadas? Para que dêem aos ASSASSINOS um destino certo, retirando-os de vez do convívio da sociedade? Re-socialização só para ladrões que roubam para matar a sua fome e a de sua família, pessoas que REALMENTE possam ser re-socializadas. Assassinos e maníacos sociopatas não fazem parte desse rol.
Precisamos eleger representantes verdadeiramente engajados com o país, interessados em devolver à população a tranqüilidade de andar nas ruas com suas famílias. Para que pais possam deixar seus filhos ir a uma festa com a certeza de que eles irão voltar. E saber que se alguém resolver infringir às leis, este será punido rigorosamente, independente da classe social, raça, nacionalidade, naturalidade e principalmente IDADE. Menor infrator, deve ser tratado como infrator, transgressor das leis e não como MENOR. Menor que pega em arma para assaltar e matar tem que ser punido como alguém que pode discernir o certo do errado. Ou será que matar é certo? Do jeito que o país está, estou começando a achar que o errado é ser correto.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Finalmente a verdade é dita na TV Americana. A filha de Billy Graham estava sendo entrevistada no Early Show e Jane Clayson perguntou a ela:
Como é que Deus teria permitido algo horroroso assim acontecer no dia 11 de setembro?
Anne Graham deu uma resposta profunda e sábia:
-Eu creio que Deus ficou profundamente triste com o que aconteceu, tanto quanto nós. Por muitos anos temos dito para Deus não interferir em nossas escolhas, sair do nosso governo e sair de nossas vidas. Sendo um cavalheiro como Deus é, eu creio que Ele calmamente nos deixou. Como poderemos esperar que Deus nos dê a sua bênção e a sua proteção se nós exigimos que Ele não se envolva mais conosco?
- À vista de tantos acontecimentos recentes; ataque dos terroristas, tiroteio nas escolas, etc... Eu creio que tudo começou desde que Madeline Murray O'hare (que foi assassinada), se queixou de que era impróprio se fazer oração nas escolas Americanas como se fazia tradicionalmente, e nós concordamos com a sua opinião.
-Depois disso, alguém disse que seria melhor também não ler mais a Bíblia nas escolas... A Bíblia que nos ensina que não devemos matar, roubar e devemos amar o nosso próximo como a nós mesmos. E nós concordamos com esse alguém.
- Logo depois o Dr. Benjamin Spock disse que não deveríamos bater em nossos filhos quando eles
se comportassem mal, porque suas personalidades em formação ficariam distorcidas e poderíamos prejudicar sua auto estima, (o filho dele se suicidou) e nós dissemos: "Um perito nesse assunto deve saber o que está falando". E então concordamos com ele.
- Depois alguém disse que os professores e diretores das escolas não deveriam disciplinar nossos filhos quando se comportassem mal. Então foi decidido que nenhum professor poderia tocar nos alunos... (há diferença entre disciplinar e tocar).
- Aí, alguém sugeriu que deveríamos deixar que nossas filhas fizessem aborto, se elas assim o quisessem. E nós aceitamos sem ao menos questionar.
- Então foi dito que deveríamos dar aos nossos filhos tantas camisinhas quantas eles quisessem para que eles pudessem se divertir à vontade. E nós dissemos: "Está bem!"
- Então alguém sugeriu que imprimíssemos revistas com fotografias de mulheres nuas, e disséssemos que isto é uma coisa sadia e uma apreciação natural do corpo feminino.
- Depois uma outra pessoa levou isso um passo mais adiante e publicou fotos de crianças nuas e foi mais além ainda, colocando-as à disposição da Internet. E nós dissemos: "Está bem, isto é democracia, e eles têm o direito de ter liberdade de se expressar e fazer isso".
- Agora nós estamos nos perguntando por que nossos filhos não têm consciência e porque não sabem distinguir entre o bem e o mal, entre o certo e o errado, porque não lhes incomoda matar pessoas estranhas ou seus próprios colegas de classe ou a si próprios... Provavelmente, se nós analisarmos seriamente, iremos facilmente compreender: nós colhemos aquilo que semeamos!!!
- Uma menina escreveu um bilhetinho para Deus: "Senhor, por que não salvaste aquela criança na escola?"
- A resposta dele: "Querida, não me deixam entrar nas escolas!"
Embora isso tenha sido dito na realidade das escolas americanas, não seria a hora de adaptarmos esse pensamento à nossa realidade???
Pense, afinal de contas não doi!

Machado de Assis - Um Apólogo (A agulha e a linha)

(Publicado originalmente em Gazeta de Notícias, 1885)
Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:
— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma coisa neste mundo?
— Deixe-me, senhora.
— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.
— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.
— Mas você é orgulhosa.
— Decerto que sou.
— Mas por quê?
— É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?
— Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu, e muito eu?
— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...
— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás, obedecendo ao que eu faço e mando...
— Também os batedores vão adiante do imperador.
— Você imperador?
— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...
Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela.
Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:
— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...
A linha não respondia nada; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte; continuou ainda nesse e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava a um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha, para mofar da agulha, perguntou-lhe:
— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.
Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha:
— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.
Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça: — Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!

FIM

Não fosse por nós professores "agulhas" não haveria tantas linhas costurando a nossa sociedade!

Feliz Dia dos Professores

Ser Professor é:

Ser PROFESSOR é:
Ser amigo,
Disciplinador,
Psicólogo,
Orientador,
Orgulhoso,
Sofredor,
Meio Pai (Mãe),
Consolador,
Humorista,
Jogador,
Democrata,
Ditador,
Incompreendido,
Batalhador,
Instigante,
Desafiador.
Mesmo com tantos desafios,
fazemos o que fazemos com muito amor.
Após 14 anos de profissão, mesmo depois de minha mãe (que também era professora) ter me alertado que ser professor não seria fácil, tenho cada vez mais a certeza de que tomei a decisão correta.
Cofesso-lhes que já tentei buscar outra coisa pra fazer, mas onde realmente me realizo é em sala de aula. Cada dia é um novo dia, cada turma tem a sua luz própria, sua dinâmica. Nunca é igual. Não troco isso por nenhuma rotina de escritório. Mesmo sabendo que poderia ganhar mais e que poderia ser mais valorizado.
Um país que quer se tornar desenvolvido, tem que levar a educação a sério. Hoje vivemos de índices utópicos, onde o que é cada vez mais alto é o número de analfabetos funcionais. O sistema, a psicologia e a pedagogia dita "moderna" acabaram com a educação no Brasil. Porém, com esse cenário aparentemente desfavorável, ainda temos jovens saindo das universidades dispostos a enfrentar esse mundo ingrato, desafiador e ainda assim compensador.
Nós somos bravos guerreiros nessa selva. Portanto, venho aqui desejar a todos os professores um:
FELIZ DIA DOS PROFESSORES!!!

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Primeira Postagem

Aderi à moda do blog como uma maneira de mostrar todas as minhas opiniões com relação a assuntos diversos. Quem não concordar com o meu ponto de vista, será bem vindo para discordar, desde que não baixe o nível, nem venha com coisas como do tipo: "simplesmente não concordo". A abertura deste espaço é para criaturas pensantes, que vêem uma coisa e não sabem ficar calados. É isso e pronto! Ora p%@&$!